quinta-feira, 2 de junho de 2011

Medo; O legado da política

Medo; O legado da política

INTRODUÇÃO
O objetivo deste artigo é mostrar a realidade das cidades, onde as pessoas se encontram ao descaso das autoridades, a insegurança é presente nas ruas caminhando lado a lado com todos que necessitam diariamente trafegar pelo caos do desconforto, gerando obsessões coletivas em busca de táticas de proteção particular. Grades, portões e cadeados caracterizam um cárcere privado, onde fica somente nas lembranças o vento nas varandas sem se esbarrar em muros, as cadeiras nas calçadas em que outrora, as tarde se passavam sem fazer do cidadão, prisioneiro em seu próprio lar.
O medo cotidiano gera manias e fobias, rejeições ao estrangeiro, ficando no ar um sentimento forte regionalista e de ultra-nacionalismo que já foi motivos de barbáries pelo mundo. O fato é que a distância de um ser humano para o outro, distância também o senso de humanidade dentro de cada um de nós, e este senso é o que nos faz predominantes, “superiores”, a capacidade de nos socializar, ou do contrario, caminhamos a ligeiros passos aos primórdios, um regresso na escala da evolução em plena era da inteligência e tecnologia.








Desenvolvimento
Os passos nas ruas já não são passeios, o homem reflete seus atos vivenciando as conseqüências do esquecimento do poder publico, a nós é somente permitido nos preservar e tentar fazer com que afastemos tudo que é ameaça de nossas famílias, realmente é fato que nossas casas cada vez mais, engolem a idéia de estar nas ruas, onde não sabemos quem caminha a nosso lado, as oportunidades que nos rodeiam nem mesmo se daremos o próximo passo, uma vez que a instabilidade que é oferecida pela cidade é cada dia maior.
Por sua vez a insegurança moderna é caracterizada pelo medo de crimes e criminosos, tomando o espaço urbano antes preenchido por cidadãos, pelas ruas quem necessita, quem não tem alternativa, quem a ela corrompe. A sociedade tranca-se, se mantêm em cárcere por falta de opção. Padrões foram estabelecidos mediante ao novo modo de vida, fato que nos prende a status, fruto da busca por segurança derivando também o medo de sermos inadequados, onde artifícios de segurança já se misturam também a adereços de beleza, uma grande bola de neve vem descendo misturando sensações e sentimentos, transformando a sociedade, refazendo valores e destruindo costumes. O crime e a criminalidade não se resumem apenas em furtos, falta de assistência da saúde, educação, moradia e tudo aquilo que por obrigação seria feito, caso os olhos do poder político não se fecha-se ao povo. E assim chegamos aos deprimentes dias em que não conhecemos nossos vizinhos, os laços naturais se convertem a laços artificiais sobre a forma de associações, sindicatos e tantos outros que geralmente são esmagados pelas mãos manchadas de descaso e hipocrisia dos políticos que nos convencem que é para nosso avanço e bem estar.
Somos indivíduos de fato? Ou nossa participação no decorrer da sociedade estreita-se a observar nossos direitos serem tragados? Afinal de quem realmente é a culpa da nossa sentença de prisão perpetua domiciliar? Estas questões são diariamente levantadas quando sentimos medo de nossas cidades, quando a confiança na individualidade ambulante é trocada por guardas costas ou cercas eletrificadas nos altos de nossos portões em vez de flores. Sigmund Freud já havia se deparado com o enigma, relatando que a solução poderia estar contida no desprezo tenaz da psique humana pela árida “lógica factual”. O sofrimento humano retrata a fragilidade perante o choque dos acontecimentos anormais com o relacionamento entre família e sociedade, provando que não seria somente inadequação a realidade e sim meios de preservação de tudo aquilo que nos importa.
Outro fato marcante que também aponta para o descaso do poder publico e contribui para o aumento sucessivo da insegurança é a transferência de famílias da zona rural em busca de melhoras de vida pela falta de investimento e falta da reforma agrária, tornando impossível a capacidade das cidades oferecer moradias ou empregos, condições dignas de sobrevivência, aumentando desta forma o numero de favelas e conseqüentemente da insegurança nas ruas, saindo assim, todos nós perdendo.
Regionalismo, ultra-nacionalismo sentimentos perigosos, que por conseqüência desta obsessiva busca por segurança ou contentamento por medo da inadequação social perante a realidade das cidades se desenvolvem em cada um de nós, estaríamos nós nos tornando xenofobicos? A aversão ao estrangeiro já foi motivo de fatos marcantes na História e torna-se cada vez mais presente em nosso cotidiano, fatos como atentados terroristas estão mais que nos deixando com manias de segurança, estão afastando o homem de seu senso de humanidade.
As fronteiras estão se tornando mais que limites geográficos, estão limitando o homem do convívio que fez que com que as culturas fossem compartilhadas e o conhecimento um prestigio ao alcance de todos, o medo da perda de identidade pela cultura globalizada, afasta também aquilo que é estranho ao nosso padrão, medo, medo, medo, até onde este sentimento triunfará entre nós? Quando lembrarmos que socialização é um dos mais belos processos de humanização e que sem duvidas um dos maiores legados dos primórdios, talvez ao menos nos sentiremos mais à-vontade uns com os outros, quem sabe as fronteiras tomem seus papeis de origem e não mas segreguem ninguém, quanto ao medo é preciso mudanças nas políticas, um demorado e tedioso processo de desapropriação da cultura em que precisamos lutar por segurança, quando a educação e a saúde for um bem ao alcance de todos, quando o povo rural não mas precisar de êxitos e o descaso publico se fundir, nossos olhos enxergaram que a verdadeira segurança é o convívio de um homem com o outro, aprendendo, ensinando, vivendo.

Conclusão
A sociedade esta vivendo o fruto do descaso, a realidade das cidades obriga o cidadão a se manter prisioneiro, o direito de ir e vir esta sendo violado, o crime e a criminalidade são os novos donos das ruas e das cidades, o medo leva o homem a obsessões por buscas falidas por segurança, faz com que a maior característica que torna o homem “superior” aos demais animais se perca, o dom de se socializar, a solidariedade esta se jazendo, meras linhas nos mapas nos torna diferentes e melhores das pessoas rotuladas estrangeiros, o medo do homem gera o medo de inadequação, é o medo de admitir que sentimos medo, só falta ao homem Sapiens Sapiens relembrar o que o homem do paleolítico descobriu, a beleza do conviver.
A humanidade é desumana, mas ainda
Temos chance, o sol nasce para todos,
Só não sabe quem não quer” Frejat











Referências bibliográficas
Confiança e medo na cidade
BAUMAN, Zygmunt
Editora Zahar RJ 2009


Por: Prof. Leandro Antonio






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